Não vem de garfo.

Sacudim, sacundá, sacundim, gundim, gundá.

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felicidade

A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
mas como é que a gente voa quando começa a pensar

Na minha casa tem um cavalo tordilho
que é irmão do que é filho daquele que o Juca tem
E quando pego meu cavalo e encilho
Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem

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Coisarada (baseada em uma estante real) - por Silmara Franco

Na estante de D. tem de tudo. E um tanto mais.

Tem porta-retrato sem retrato, ainda na embalagem. Vela, durex, elástico de cabelo e colírio. Três pequeninos bonecos de louça, sendo duas meninas e um menino. Uma bola de baseball e um frasco de cola Tenaz.

Tem aditivo para limpeza de parabrisa. Correspondência aberta e fechada. Etiqueta de cinto (sem o cinto), escrito “cor cinza ‘silver’”. Uns livros.

As coisas ali vão chegando e ficando. Sem censura, nem triagem, tudo é bem-vindo. Não há gavetas. É nas prateleiras que a vida vem, acumula e não vai.

Bala de goma, batom, garrafinha com mensagem e broche de uma das meninas superpoderosas, que eu não sei qual é. Nunca sei.

Chaveiro de ursinho, cupom de sorteio do supermercado, preenchido e jamais posto na urna. Recibo de doação para entidade assistencial. Caixa do telefone celular com os acessórios (o telefone D. perdeu). Mais livros.

A estante fica no quarto e parece tragar tudo que dá sopa em seu entorno. Nada é rejeitado. Em ordem caótica e serena, fragmentos de mundo vão se arquivando. D. nunca está só.

Uma sombrinha, um transformador, uma – só uma – luva de couro. Calendário do ano, sacolinha plástica vazia, bem dobradinha. Frasqueira de zíper quebrado, dentro se vê outra sombrinha. É cinza, mas não ‘silver’.

Uma lembrancinha de chá-de-bebê, uma lanterna, um marcador de páginas, de borboleta, a não marcar página alguma. Um carretel de náilon e uma coleção de documentários em VHS.

Calculo quanto tempo D. levou para deixar seu acervo público de coisas como está, e quanto ele durará. Sabe-se que as faxinas físicas precedem as mentais. Temo pelos bonecos de louça; que o destino não os separe. Nem tudo inanimado é, necessariamente, ausente de ânima.

Pirulito de São Cosme e Damião, frasco de álcool, rolinho tira-pelo, vaso em formato de abóbora. Papelzinho de recado e Bic preta, com os quais rascunhei este inventário. Incompleto, por sinal; meu olhar não alcança a parte de cima.

Na estante de D. tem tanta coisa, mas tanta, que deve até ter felicidade.


http://fiodameada.wordpress.com/2012/04/24/coisarada-baseada-em-uma-estante-real/

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Agora não pergunto mais aonde vai a estrada.
Agora não espero mais aquela madrugada.
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser, faca amolada.
O brilho cego de paixão e fé, faca amolda.
Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranqüilo.
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo.
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada.
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada.
Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia.
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia.
A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada.
Deixar a luz brilhar no pão de cada dia.
Deixar o seu amor crescer na luz de todo dia.
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranqüilo.
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada.